Coltrane AscensionUm importante disco de Coltrane é “Ascension” (pra falar a verdade, todos os discos dele foram importantes), gravado em junho de 1965 pelo selo Impulse! Records.

Aqui Coltrane já esta completamente inserido no Avant-Garde/Free Jazz, deixando de lado seu sax soprano e convocando jovens virtuoses do jazz dos anos 60 como os saxofonistas Archie Shepp, Pharoah Sanders e Marion Brown. Além dos cinco saxofones e dois trompetes, estão presentes o piano de McCoy Tyner, a bateria de Elvin Jones e dois baixistas simultâneos: Jimmy Garrison e Art Davis.

A única faixa do disco, “Ascension” é apresentada em duas versões. Basicamente a diferença é a ordem dos solos que muda de uma faixa para a outra. A maior delas é chamada de “Ascension – edition 2″ com mais de 40 minutos de duração. Não há como não lembrar do famoso disco “Free Jazz” de Ornette Coleman em uma formação de duplo quarteto tocando simultâneamente, porém em “Ascension” cada solista tem seu espaço bem determinado para solar, enquanto que de um solo para outro há uma total interação entre os músicos.

É bem interessente ouvir o estilo de cada um dos sopros, em especial dos cinco saxes. Este é um disco de grande complexidade e de difícil entendimento em uma primeira audição,  mas “Ascension” é, junto com “Africa-Brass”, uma grande oportunidade de ouvir Coltrane em uma grande formação além de uma verdadeira aula de improviso e ousadia com estes titãs do jazz experimental utilizando um grande arsenal de diferentes técnicas nos sopros.

Abaixo um roteiro da ordem dos solos:

Edition II (40:25)

1. (Opening Ensemble)

2. Coltrane solo (3:10-5:48)

3. (Ensemble)

4. Johnson solo (7:45-9:30)

5. (Ensemble)

6. Sanders solo (11:55-14:25)

7. (Ensemble)

8. Hubbard solo (15:40-17:40)

9. (Ensemble)

10. Tchicai solo (18:50-20:00)

11. (Ensemble)

12. Shepp solo (21:10-24:10)

13. (Ensemble)

14. Brown solo (25:10-27:16)

15. (Ensemble)

16. Tyner solo (29:55-33:26)

17. Davis, Garrison duet (33:26-35:50)

18. (Concluding Ensemble)

Edition I – 38:33

1. (opening ensemble)

2. Coltrane solo

3. Johnson solo

4. Sanders solo

5. Hubbard solo

6. Shepp solo

7. Tchicai solo

8. Brown solo

9. Tyner solo

10. Davis, Garrison duet

11. Jones solo

12. (concluding ensemble)

John Coltrane – Sax (Tenor)

Archie Shepp – Sax (Tenor)

Pharoah Sanders – Sax (Tenor)

Marion Brown – Sax (Alto)

John Tchicai – Sax (Alto)

Freddie Hubbard – Trompete

Dewey Johnson – Trompete

McCoy Tyner – Piano

Art Davis – Baixo

Jimmy Garrison – Baixo

Elvin Jones – Bateria

deeds-not-wordsAgora uma pequena demostração do estilo Hard Bop. Max Roach é considerado um dos melhores bateristas do jazz, revolucionando a maneira de tocar bateria e foi o principal baterista do Bebop junto aos fundadores do estilo, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk. O estilo energético de Roach pode ser ouvido nessa ótima gravação de 4 de setembro de 1958 pelo selo Riverside, inaugurando seu novo quinteto repleto de jovens músicos.

O grupo de “Deeds, Not Words” é genial. A começar pelo jovem Booker Little, um dos melhores trompetistas do hard bop, morto prematuramente aos 23 anos de idade. George Coleman (outro então jovem virtuose) assume o sax tenor, Ray Draper na tuba, Art Davis no baixo e o mestre Oscar Pettiford substituindo Davis em uma faixa.

O disco começa com “You Stepped Out Of a Dream”. Excelente faixa, inicia com um delicado passeio de Coleman e Little. Passados 2 minutos, o som da tuba de Draper muda radicalmente o andamento e profundidade da música. Belos solos de Coleman e Little na sequência.

A segunda faixa merece destaque. “Filide” de autoria de Draper é belíssima. Coleman e Little assumem a frente no início da faixa sob o som de Draper que em seguida toca um belo solo. Álias, são poucas as gravações onde pode-se ouvir um solo de tuba. O disco segue com “It’s You or No One”, “Jodie’s Cha-Cha” e a balada “Deeds, Not Words”. O disco retoma a velocidade com “Larrie-Larue” de autoria de Booker Little.

A próxima faixa, ”Conversation”, Roach toca desacompanhado e finalizando o disco uma versão bem interessante da clássica “There Will Never Be Another You”, comandada por Pettiford no baixo acompanhado somente pela bateria de Roach.

1. You Stepped Out Of A Dream
2. Filide
3. It’s You Or No One
4. Jodie’s Cha-Cha
5. Deeds, Not Words
6. Larry-Larue
7. Conversation
8. There Will Never Be Another You

Max Roach – Bateria / George Coleman – Saxofone Tenor / Ray Draper – Tuba  / Booker Little – Trompete / Art Davis e Oscar Pettiford – Baixo

(Max foi um revolucionário, não só em sua técnica comandando a bateria mas também em suas ações sociais em benefício dos negros norte-americanos. “We Insist! Freedom Now Suite” em parceria com diversos músicos incluindo Abbey Lincon, sua esposa, foi um dos mais polêmicos disco deste baterista)

The complete Africa/Brass Sessions

The complete Africa/Brass Sessions

Este disco foi lançado originalmente em novembro de 1961. Africa/Brass marca a passagem de Trane pela Atlantic Records, sendo que este albúm foi o primeiro gravado para a Impulse! records,  gravadora de Trane a partir de 61. A a associação de Coltrane com a Impulse é muito rica e é inclusive tema de um excelente livro que recomendo chamado “The House That Trane Built” do escritor Ashley Kahn.

As gravações de Africa/Brass ocorreram nos dias 23 de maio e 4 de junho de 1961. Desse material somente foram lançadas três faixas no disco original: a tradicional “Greensleeves”,  “Africa” e “Blues Minor“. Em 74 um volume 2 foi lançado com as demais faixas das sessões e por fim The Complete Africa/Brass Sessions com todo o material compilado.

Coltrane deixou um legado impressionante de  discos e esse álbum é diferente do que vinha realizando antes. Coltrane estava em meio a gravação de seu último disco pela Atlantic chamado “Olé! Coltrane”, onde já vinha experimentando uma formação maior, com dois baixistas simultâneos além de incluir trompete e outro sax. “Africa/Brass” completa esse ciclo. A formação de 17 peças utilizada contempla dois sax barítonos, além de trompas, trompetes e trombone que como resultado oferecem um som denso, poderoso como pano de fundo para os solos de Coltrane. Os arranjos ficaram nas mãos de seu pianista McCoy Tyner e de Eric Dolphy, mas na verdade isso foi por um acaso. Creed Taylor, produtor do selo até então, já havia selecionado Oliver Nelson para os arranjos, mas Oliver não pode comparacer e Tyner e Dolphy assumiram a missão. Dolphy cuidou da orquestração, brilhante por sinal, como tudo que fez em sua curta vida.

O álbum abre com “Greensleeves”, com os sopros dando espaço para Coltrane tocar a melodia com o sax soprano. É uma das faixas que mais gosto no disco. Há no disco ainda uma segunda versão dessa faixa, em andamento mais lento. “Africa” também está presente em dois takes. Nessa faixa Coltrane utiliza dois baixistas, Paul Chambers, companheiro de gravações nos tempos de Miles Davis, e  Art Davis. Elvin Jones recebe espaço para solar nessa faixa, o que acontece em poucos momentos do disco, onde praticamente Coltrane assume os solos.

O disco seguem com as ótimas “The Damned Don’t Cry”, “Blues Minor”“Song of the Underground Railroad”. Está última por sinal uma bela faixa onde Coltrane toca sax tenor e McCoy Tyner o acompanha em plena sintonia, recebendo espaço para um delicado solo.

Africa/Brass é uma ótima oportunidade para entender os rumos que a música de Coltrane tomaria dali em diante trilhando o complexo caminho de sua fase avant-garde.

Detalhes do disco

Faixas

Disco 1

  1. “Greensleeves” (traditional) – 9:57
  2. “Song of the Underground Railroad” (traditional) – 6:44
  3. “Greensleeves” (alternate take) (traditional) – 10:53
  4. “The Damned Don’t Cry” (Cal Massey) - 7:34
  5. “Africa” (first version) (Coltrane) – 14:08

Disco 2

  1. “Blues Minor” (Coltrane) 7:20
  2. “Africa” (alternate take) (Coltrane) 16:08
  3. “Africa” (Coltrane) 16:29

Músicos:

John Coltrane – Sax (Soprano), Sax (Tenor)

Eric Dolphy – Flauta, Clarone, Sax (Alto)

Pat Patrick, Garvin Bushell – Sax Barítono

Freddie Hubbard, Booker Little – Trompete

Britt Woodman – Trombone

Billy Barber – Tuba

Julian Priester, Carl Bowman, Charles Greenlee – Euphonium

Julius Watkins , James Buffington, Bob Northern, Donald Corrado, Robert Swisshelm – Trompa

McCoy Tyner – Piano

Paul Chambers, Art Davis – Baixo

Elvin Jones – Bateria