Deeds, Not Words – Max Roach
15/04/2009
Agora uma pequena demostração do estilo Hard Bop. Max Roach é considerado um dos melhores bateristas do jazz, revolucionando a maneira de tocar bateria e foi o principal baterista do Bebop junto aos fundadores do estilo, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk. O estilo energético de Roach pode ser ouvido nessa ótima gravação de 4 de setembro de 1958 pelo selo Riverside, inaugurando seu novo quinteto repleto de jovens músicos.
O grupo de “Deeds, Not Words” é genial. A começar pelo jovem Booker Little, um dos melhores trompetistas do hard bop, morto prematuramente aos 23 anos de idade. George Coleman (outro então jovem virtuose) assume o sax tenor, Ray Draper na tuba, Art Davis no baixo e o mestre Oscar Pettiford substituindo Davis em uma faixa.
O disco começa com “You Stepped Out Of a Dream”. Excelente faixa, inicia com um delicado passeio de Coleman e Little. Passados 2 minutos, o som da tuba de Draper muda radicalmente o andamento e profundidade da música. Belos solos de Coleman e Little na sequência.
A segunda faixa merece destaque. “Filide” de autoria de Draper é belíssima. Coleman e Little assumem a frente no início da faixa sob o som de Draper que em seguida toca um belo solo. Álias, são poucas as gravações onde pode-se ouvir um solo de tuba. O disco segue com “It’s You or No One”, “Jodie’s Cha-Cha” e a balada “Deeds, Not Words”. O disco retoma a velocidade com “Larrie-Larue” de autoria de Booker Little.
A próxima faixa, ”Conversation”, Roach toca desacompanhado e finalizando o disco uma versão bem interessante da clássica “There Will Never Be Another You”, comandada por Pettiford no baixo acompanhado somente pela bateria de Roach.
1. You Stepped Out Of A Dream
2. Filide
3. It’s You Or No One
4. Jodie’s Cha-Cha
5. Deeds, Not Words
6. Larry-Larue
7. Conversation
8. There Will Never Be Another You
Max Roach – Bateria / George Coleman – Saxofone Tenor / Ray Draper – Tuba / Booker Little – Trompete / Art Davis e Oscar Pettiford – Baixo
(Max foi um revolucionário, não só em sua técnica comandando a bateria mas também em suas ações sociais em benefício dos negros norte-americanos. “We Insist! Freedom Now Suite” em parceria com diversos músicos incluindo Abbey Lincon, sua esposa, foi um dos mais polêmicos disco deste baterista)

The complete Africa/Brass Sessions
Este disco foi lançado originalmente em novembro de 1961. Africa/Brass marca a passagem de Trane pela Atlantic Records, sendo que este albúm foi o primeiro gravado para a Impulse! records, gravadora de Trane a partir de 61. A a associação de Coltrane com a Impulse é muito rica e é inclusive tema de um excelente livro que recomendo chamado “The House That Trane Built” do escritor Ashley Kahn.
As gravações de Africa/Brass ocorreram nos dias 23 de maio e 4 de junho de 1961. Desse material somente foram lançadas três faixas no disco original: a tradicional “Greensleeves”, “Africa” e “Blues Minor“. Em 74 um volume 2 foi lançado com as demais faixas das sessões e por fim The Complete Africa/Brass Sessions com todo o material compilado.
Coltrane deixou um legado impressionante de discos e esse álbum é diferente do que vinha realizando antes. Coltrane estava em meio a gravação de seu último disco pela Atlantic chamado “Olé! Coltrane”, onde já vinha experimentando uma formação maior, com dois baixistas simultâneos além de incluir trompete e outro sax. “Africa/Brass” completa esse ciclo. A formação de 17 peças utilizada contempla dois sax barítonos, além de trompas, trompetes e trombone que como resultado oferecem um som denso, poderoso como pano de fundo para os solos de Coltrane. Os arranjos ficaram nas mãos de seu pianista McCoy Tyner e de Eric Dolphy, mas na verdade isso foi por um acaso. Creed Taylor, produtor do selo até então, já havia selecionado Oliver Nelson para os arranjos, mas Oliver não pode comparacer e Tyner e Dolphy assumiram a missão. Dolphy cuidou da orquestração, brilhante por sinal, como tudo que fez em sua curta vida.
O álbum abre com “Greensleeves”, com os sopros dando espaço para Coltrane tocar a melodia com o sax soprano. É uma das faixas que mais gosto no disco. Há no disco ainda uma segunda versão dessa faixa, em andamento mais lento. “Africa” também está presente em dois takes. Nessa faixa Coltrane utiliza dois baixistas, Paul Chambers, companheiro de gravações nos tempos de Miles Davis, e Art Davis. Elvin Jones recebe espaço para solar nessa faixa, o que acontece em poucos momentos do disco, onde praticamente Coltrane assume os solos.
O disco seguem com as ótimas “The Damned Don’t Cry”, “Blues Minor” e “Song of the Underground Railroad”. Está última por sinal uma bela faixa onde Coltrane toca sax tenor e McCoy Tyner o acompanha em plena sintonia, recebendo espaço para um delicado solo.
Africa/Brass é uma ótima oportunidade para entender os rumos que a música de Coltrane tomaria dali em diante trilhando o complexo caminho de sua fase avant-garde.
Detalhes do disco
Faixas
Disco 1
- “Greensleeves” (traditional) – 9:57
- “Song of the Underground Railroad” (traditional) – 6:44
- “Greensleeves” (alternate take) (traditional) – 10:53
- “The Damned Don’t Cry” (Cal Massey) - 7:34
- “Africa” (first version) (Coltrane) – 14:08
Disco 2
- “Blues Minor” (Coltrane) 7:20
- “Africa” (alternate take) (Coltrane) 16:08
- “Africa” (Coltrane) 16:29
Músicos:
John Coltrane – Sax (Soprano), Sax (Tenor)
Eric Dolphy – Flauta, Clarone, Sax (Alto)
Pat Patrick, Garvin Bushell – Sax Barítono
Freddie Hubbard, Booker Little – Trompete
Britt Woodman – Trombone
Billy Barber – Tuba
Julian Priester, Carl Bowman, Charles Greenlee – Euphonium
Julius Watkins , James Buffington, Bob Northern, Donald Corrado, Robert Swisshelm – Trompa
McCoy Tyner – Piano
Paul Chambers, Art Davis – Baixo
Elvin Jones – Bateria
Um importante disco de Coltrane é “Ascension” (pra falar a verdade, todos os discos dele foram importantes), gravado em junho de 1965 pelo selo Impulse! Records.