take tenVou deixar um pouco de lado toda a aventura e ousadia do avant-garde e do free jazz e postarei um disco do cool jazz.

É sempre muito prazeroso ouvir os discos de Paul Desmond. O som de seu sax alto é rapidamente reconhecível. Doce, leve… quase uma flauta!

Após anos tocando com Dave Brubeck e ter entrado para a história com sua música “Take Five”, Desmond gravou uma série de discos trocando o piano pela guitarra nos acompanhamentos. Destes álbuns, os melhores são em parceria com Jim Hall. Neste disco de 1963 pela RCA, a bateria é comandada pelo experiente  Connie Kay, integrante de longa data do Modern Jazz Quartet, e os baixistas Gene Wright (na faixa título) e Gene Gerico, todos estes parceiros de longa data do líder.

O disco é excelente com alguns destaques como a faixa título, “Take Ten” que é uma revisão a famosa faixa de Desmond, a lindíssima “Embarcadero” e “Samba de Orfeu”. Tanto Desmond como Hall foram fortemente marcados pela batida da bossa nova e este disco é temperado ao estilo brasileiro. Relaxante, melódico, elegante, romântico, “Take Ten” é um dos meus discos preferidos desse saxofonista.

1) Take Ten
2) El Prince (Alternative Take)
3) El Prince
4) Alone Together
5) Embarcadero (alternative take)
6) Embarcadero
7) The From Black Orpheus
8 ) The Night Has a Thousand Eyes
9) Nancy
10) Samba de Orfeu
11) The One I Love

Paul Desmond - Sax (Alto)
Jim Hall – Guitarra
Gene Wright – Baixo
Gene Cherico – Baixo
Connie Kay – Bateria

Chico HamiltonPara quem não conhece Chico Hamilton, saiba que seus discos são revolucionários e que este baterista lançou grandes nomes do cenário do Jazz. Começou a ficar conhecido tocando no inusitado quarteto “pianoless” de Gerry Mulligan em meados da década de 50. Durante sua carreira lançou músico em seus quartetos e quintetos, do quilate de Jim Hall, Eric Dolphy, Larry Coryell e Arthur Blythe. Em 1961 lançava seu novo grupo que toca neste disco de 1963 pelo sempre inovador selo Impulse.

A formação conta com o líder baterista mais o jovem promissor saxofonista Charles Lloyd – que assina quase todas as faixas do disco – o guitarrista húngaro Gabor Szabo além do trombone de George Bohannon (nas quatro últimas faixas ) e o baixo de Albert Stinson. Daí em diante tanto Szabo quanto Lloyd percorreriam uma grande carreira impulsionados pelo ex-patrão Hamilton.

Bom, o disco explora muito a criatividade de Lloyd e a guitarra exótica de Szabo junto ao forte rítimo de Hamilton. Já na faixa título Lloyd já se mostra bem a vontade em suas experimentações ao sax e Szabo lança um solo que caracteriza bem seu estilo “folk”. Já Stinson comanda o rítmo na segunda faixa, um blues bem legal.

A terceira faixa é conhecida como a melhor composição de Lloyd. “Forest Flower” é muito sensual e até lembra a boa batidinha de bossa. A faixa com mais de 10 minutos conta com solos de Gzabo, Stinson e um poderoso solo de Hamilton. Essa faixa também pode ser ouvida no famosos dico de Lloyd que leva o nome da faixa e que conta com os “pupilos” do saxofonista: nada menos que Jack De Johnette, Keith Jarrett e Cecil McBee.

O disco segue com a balada “Child’s Play” e com mais um blues, com Lloyd trocando o sax pela flauta. Já “Mallet Dance” é bem interessante, com Chico Hamilton arrebentando na bateria e Charles Lloyd solando em cima. Por volta dos qutatro minutos o restante da banda se junta a dupla. Belo trabalho nos tons-tons do batera.

Pouco mais da metade do disco ainda há muita música boa pela frente. “Love Song To a Baby”, uma baladinha com destaque para a flauta de Lloyd e quatro faixas oriundas de outro albúm de Hamilton chamado “Passin’ Thru”, sendo que a primeira delas leva o nome do álbum. Nestas faixas  o trombone de George Bohannon se junta ao grupo. As demais faixas são “transfusion”, a ótima “Lady Gabor” com seus 13 minutos de duração de autoria de Szabo e “Lonesome Child”.

Um disco muito criativo e de altíssima qualidade. Uma obra difícil de se encontrar onde pode-se ouvir um dos mais notáveis grupos desse brilhante baterista americano.

1 – Man from Two Worlds (Lloyd) – 5:53
2 – Blues Medley: Little Sister’s Dance/Shade Tree/Island Blue (Lloyd) – 3:20
3 – Forest Flower: Sunrise/Sunset (Lloyd) – 10:11
4 – Child’s Play (Lloyd) – 3:44
5 – Blues for O.T. (Lloyd) – 4:34
6 – Mallet Dance (Lloyd) – 4:49
7 – Love Song to a Baby (Lloyd) – 3:47
8 – Passin’ Thru (Lloyd) – 8:16
9 – Transfusion (Lloyd) – 2:42
10 – Lady Gabor [*] (Szabo) – 13:15
11 – Lonesome Child [*] (Lloyd) – 5:41

2 – Blues Medley: Little Sister’s Dance/Shade Tree/Island Blue (Lloyd) – 3:20
3 – Forest Flower: Sunrise/Sunset (Lloyd) – 10:11
4 – Child’s Play (Lloyd) – 3:44
5 – Blues for O.T. (Lloyd) – 4:34
6 – Mallet Dance (Lloyd) – 4:49
7 – Love Song to a Baby (Lloyd) – 3:47
8 – Passin’ Thru (Lloyd) – 8:16
9 – Transfusion (Lloyd) – 2:42
10 – Lady Gabor [*] (Szabo) – 13:15
11 – Lonesome Child [*] (Lloyd) – 5:41

Chico Hamilton – bateria e percurssão

Charles Lloyd – flauta e sax tenor

Gabor Szabo – guitarra
Albert Stinson – baixo

George Bohannon – trombone

(Procure pelas raras gravações de chico como baterista de Gerry Mulligan no quarteto sem piano)

thebridgeHoje postarei sobre um ótimo disco de Sonny Rollins, eleito pelos críticos como um dos seus melhores trabalhos.

The Bridge foi gravado entre janeiro e fevereiro de 1962, ano em que Sonny voltaria a gravar após um “sumiço”de três anos. Em 1959 o saxofonista decidiu não gravar mais e muito menos se apresentar para shows pois acreditava que necesistava aprofundar-se na música… o detalhe é que nessa época Sonny já era considerado um dos mais notáveis saxofonistas no cenário do jazz, e tendo em seu currículo um dos mais importates discos da década de 50, “Saxophone Colossus”. O título é uma homenagem ao único ouvinte de suas pesquisas musicais durante o hiato de três anos deste tenorista: a ponte de Williamsburg em NY…

Nesse disco Sonny trabalha com um quarteto “pianoless”, composto por Jim Hall na guitarra, Bob Cranshaw no baixo e Ben Riley na bateria.

O disco abre com “Without a Song”, muito elegante com o grave som do sax de Rollins. A faixa é seguida pela balada “Where Are You?” e “John S.”, composta pelo próprio Sonny. Faixa bastante criativa com interessante “conversa” entre o sax tenor e a guitarra de Hall.

A quarta faixa é “The Bridge”, a música mais acelarada do disco e também a que melhor expressa a virtuosidade do saxofonista. Destaque também para a clássica “God Bless the Child” onde Sonny toca maravilhosamente. Belíssima versão. Para fechar o disco outro clássico, “You Do Something to Me”.

Obrigatório!

  1. “Without a Song” (Edward EliscuBilly RoseVincent Youmans) – 7:28
  2. “Where Are You?” (Harold AdamsonJimmy McHugh) – 5:10
  3. “John S.” (Sonny Rollins) – 7:45
  4. “The Bridge” (Sonny Rollins) – 5:58
  5. God Bless the Child” (Arthur Herzog Jr.Billie Holiday) – 7:29
  6. You Do Something to Me” (Cole Porter) – 6:49

Sonny Rollins – Saxofone Tenor
Jim Hall – Guitarra
Bob Cranshaw – Baixo
Ben Riley – Bateria

(gosta de Sonny Rollins? Estes são imperdíveis: Saxophone Colossus, Alfie (original music from theme), A Night at Village Vanguard, Freedom Suite, Tenor Madness, Way Out West, entre outros)