Man From Two Worlds – Chico Hamilton
02/06/2009
Para quem não conhece Chico Hamilton, saiba que seus discos são revolucionários e que este baterista lançou grandes nomes do cenário do Jazz. Começou a ficar conhecido tocando no inusitado quarteto “pianoless” de Gerry Mulligan em meados da década de 50. Durante sua carreira lançou músico em seus quartetos e quintetos, do quilate de Jim Hall, Eric Dolphy, Larry Coryell e Arthur Blythe. Em 1961 lançava seu novo grupo que toca neste disco de 1963 pelo sempre inovador selo Impulse.
A formação conta com o líder baterista mais o jovem promissor saxofonista Charles Lloyd – que assina quase todas as faixas do disco – o guitarrista húngaro Gabor Szabo além do trombone de George Bohannon (nas quatro últimas faixas ) e o baixo de Albert Stinson. Daí em diante tanto Szabo quanto Lloyd percorreriam uma grande carreira impulsionados pelo ex-patrão Hamilton.
Bom, o disco explora muito a criatividade de Lloyd e a guitarra exótica de Szabo junto ao forte rítimo de Hamilton. Já na faixa título Lloyd já se mostra bem a vontade em suas experimentações ao sax e Szabo lança um solo que caracteriza bem seu estilo “folk”. Já Stinson comanda o rítmo na segunda faixa, um blues bem legal.
A terceira faixa é conhecida como a melhor composição de Lloyd. “Forest Flower” é muito sensual e até lembra a boa batidinha de bossa. A faixa com mais de 10 minutos conta com solos de Gzabo, Stinson e um poderoso solo de Hamilton. Essa faixa também pode ser ouvida no famosos dico de Lloyd que leva o nome da faixa e que conta com os “pupilos” do saxofonista: nada menos que Jack De Johnette, Keith Jarrett e Cecil McBee.
O disco segue com a balada “Child’s Play” e com mais um blues, com Lloyd trocando o sax pela flauta. Já “Mallet Dance” é bem interessante, com Chico Hamilton arrebentando na bateria e Charles Lloyd solando em cima. Por volta dos qutatro minutos o restante da banda se junta a dupla. Belo trabalho nos tons-tons do batera.
Pouco mais da metade do disco ainda há muita música boa pela frente. “Love Song To a Baby”, uma baladinha com destaque para a flauta de Lloyd e quatro faixas oriundas de outro albúm de Hamilton chamado “Passin’ Thru”, sendo que a primeira delas leva o nome do álbum. Nestas faixas o trombone de George Bohannon se junta ao grupo. As demais faixas são “transfusion”, a ótima “Lady Gabor” com seus 13 minutos de duração de autoria de Szabo e “Lonesome Child”.
Um disco muito criativo e de altíssima qualidade. Uma obra difícil de se encontrar onde pode-se ouvir um dos mais notáveis grupos desse brilhante baterista americano.
1 – Man from Two Worlds (Lloyd) – 5:53
2 – Blues Medley: Little Sister’s Dance/Shade Tree/Island Blue (Lloyd) – 3:20
3 – Forest Flower: Sunrise/Sunset (Lloyd) – 10:11
4 – Child’s Play (Lloyd) – 3:44
5 – Blues for O.T. (Lloyd) – 4:34
6 – Mallet Dance (Lloyd) – 4:49
7 – Love Song to a Baby (Lloyd) – 3:47
8 – Passin’ Thru (Lloyd) – 8:16
9 – Transfusion (Lloyd) – 2:42
10 – Lady Gabor [*] (Szabo) – 13:15
11 – Lonesome Child [*] (Lloyd) – 5:41
Chico Hamilton – bateria e percurssão
Charles Lloyd – flauta e sax tenor
Gabor Szabo – guitarra
Albert Stinson – baixo
George Bohannon – trombone
(Procure pelas raras gravações de chico como baterista de Gerry Mulligan no quarteto sem piano)
Fort Yawuh – Keith Jarrett
15/04/2009
Keith Jarrett é um dos mais inovadores e virtuosos músicos do Jazz ainda vivo. Já ouvi dezenas de discos dele em suas diversas formações, indo das geniais apresentações solo no piano, das gravações com seu trio preferido formado por Jack DeJohnette e Gary Peacock passeando por “standards” do jazz e com o quarteto europeu na década de 70. No entanto as gravações com seu “American Quartet” são tão criativas, experimentais, intensas e virtuosas que considero-as as melhores dentro da imensa discografia desse pianista.
Dentre estes discos, selecionei uma apresentação ao vivo do grupo, gravado no místico Village Vanguard em NY pelo selo Impulse!, em 24 de fevereiro de 1973.
O “American Quartet” estava em plena forma nessa apresentação, com o pianista Keith Jarrett , Dewey Redman (sax tenor), Charlie Haden (baixo) e Paul Motian (bateria) e conta com a presença do percurssionista Danny Johnson, amigo de Jarrett, que na verdade era artista plástico e não músico, mas junta-se ao grupo para essa apresentação.
De cara a primeira faixa, (If the) Misfits (Wear It) começa com o explosivo piano de Jarrett, quase hipnótico. Ele simplesmente sobra no piano. Após seu solo é a vez de Redman no sax tenor, aplicando uma interessante técnica de vocalização ao mesmo tempo que sopra o tenor. Ao fundo, Jarrett troca o piano pelo sax soprano, instrumento que sempre toca nos discos com o quarteto.
A segunda faixa leva o mesmo nome do disco. “Fort Yawuh” tem uma andamento mais lento, mas nem por isso falta a experimentação de novos sons, cheia de percurssão. Destaque para o belo solo de Jarrett e para o interessante som de Dewey tocando gaita de fole, instrumento que introduziu no jazz. A próxima faixa, “De Drums” tem uma base melódica bem interessante com o baixo de Haden e a bateria de Motian, repleta de percurssão. A quarta faixa é uma balada, “Still life, Still life”.
O disco encerra com a faixa ”Roads Traveled, Roads Veiled” que na época não foi adicionada ao disco original e posteriomente adicionada como faixa bônus. É a maior faixa do disco, com mais de 20 minutos onde os músicos embarcam em uma viagem sonora com muita improvisação. Dewey aparece em uma rara apresentação tocando clarinete junto a Jarrett no sax soprano, com belo trabalho de Motian nos tom-tom e Charlie Haden no solo de baixo.
Esse disco é uma referência e é obrigatório para adoradores do gênero. São 80 minutos de música da mais alta qualidade.
- “(If the) Misfits (Wear It)” – 13:15
- “Fort Yawuh” – 18:22
- “De Drums” – 12:10
- “Still Life, Still Life” – 8:38
- “Roads Traveled, Roads Veiled” – 20:36
- Keith Jarrett: piano, saxofone soprano, tamborim
Dewey Redman: saxofone tenor, gaita de fole, maracas
Charlie Haden: baixo
Paul Motian: bateria, percurssão
Danny Johnson: percurssão