Dexter Gordon teve uma carreira invejável. Gravou muitos discos, ganhou fama já na metade dos anos 40, viveu um tempo na europa e chegou a atuar em um filme na década de 80. O som encorpado e elegante é característico desse que foi um dos maiores saxofonistas tenor do jazz. Juntamente com Coleman Hawkins, Ben Webster e Lester Young, Gordon em minha opinião é um dos melhores saxofonistas em baladas.

É fácil encontrar bons discos desse titã (ao menos em boas lojas de Cds como a Livraria Cultura). Dentre muitos bons discos escolhi falar de “One Fight Up” que foi gravado em 1964 pelo selo Blue Note, em um momento onde Dexter já estava vivendo na Europa. Diferente de muitas gravações do saxofonista nessa época que costuma gravar em formação de quarteto, “One Flight Up” tem a ajuda de um quinto elemento. O quinteto é formado pelo brilhante trompete de Donald Byrd, o piano de Kenny Drew, Niels-Henning Ørsted Pedersen no baixo e o baterista Art Taylor.

As quatro faixas do disco são excelentes e não somente Dexter mas também Byrd brilham nessa gravacão. A primeira faixa do disco é “Tanya”, de Donald Byrd, minha favorita no disco e também a maior com cerca de 18 minutos de duração, tempo bastante explorado pelos voos de Dexter e Byrd. A melodia base da faixa, apoiada no piano de Drew criam todo o clima da música. Uma bela faixa que merece especial atenção. A próxima faixa é “Coppin The Haven”,  mais uma excelente música com um andamento mais rápido que a anterior e cheia de energia no trabalho dos sopros. N sequência temos a balada “Darn The Dream”, terreno fértil para os solos de Gordon e Drew e fechando o disco, “Kong Neptune”, a mais swingada e despojada.

Um detalhe que vale a pena observar é o belo trabalho de fotografia da capa do disco. Pra variar o designer da Blue Note, Reid Miles soube utilizar da fotografia do mestre Francis Wolff para criar mais uma linda capa. Não bastasse a arte musical do disco, ainda podemos contemplar o belo design que ao meu ver ainda hoje é pra lá de moderno.

1 – Tanya
2 – Coppin’ The Haven
3 – Darn The Dream
4 – Kong Neptune

Dexter Gordon – sax tenor
Donald Bird – trompete
Kenny Drew – piano
Niels-Henning Ørsted Pedersen – baixo
Art Taylor – drums

(Um outro ótimo disco de Dexter é “Go”. A faixa “Cheesecake” é a melhor faixa de autoria de Dexter que já ouvi. Um outro ótimo disco é “Our Man In Paris”, onde Dexter explora vários standards do bebop)

Pres and TeddyJaneiro de 1956, Teddy Wilson, o grande pianista de Benny Goodman e seu grupo, composto pelo baixista Gene Hamey e o mitógico baterista “Papa” Jo Jones, encontram o mestre Lester Young para mais um grande momento do jazz, em uma gravação pelo selo Verve.

Nessa época Lester já estava bem doente, abusando de bebidas e mal se alimentando. No entanto boa parte das gravações desse período mostra Lester ainda mais sentimental e intimista. Além da presença do mestre do sax Tenor, também podemos apreciar o elegante piano de Wilson e mais o excelente trabalho com a vassourinha do precursor de todos os  grandes bateristas da era moderna – Jo Jones. Não é pra menos que esse é um disco indispensável, reunindo três grandes músicos dos tempos do Swing Jazz.

A primeira faixa é “All of Me” em uma versão bem equilibrada pelo quarteto, com Jo Jones “conversando” com Lester por volta dos 4 minutos de música. “Prisioner of Love” é a mais bela faixa do disco. O som de Lester é cheio e muito intenso, bastante emotivo. Ainda há o belo solo de Wilson nesta faixa.

A terceira faixa é “Louise”. Destaque para o trabalho de vassourinha de Jo Jones… imbatível nesse quesito – com direito a um solo só na vassourinha. Seguesse outra grande faixa do disco é “Love Me or Leave Me”.

Wilson inicia maravilhosamente “Taking a Chance on Love”, com Lester tirando um som muito intimista de seu tenor e “Love Is Here to Stay”. O disco encerra com a original “Pres Return”. Grande obra! para quem não conhece Lester Young essa é uma grande oportunidade.

1 – All of Me (Marks, Simons) – 5:07
2 – Prisoner of Love (Columbo, Gaskill, Robin) – 7:36
3 – Louise (Robin, Whiting) – 5:14
4 – Love Me or Leave Me (Donaldson, Kahn) – 6:47
5 – Taking a Chance on Love (Duke, Fetter, Latouche) – 5:07
6 – Love Is Here to Stay (Gershwin, Gershwin) – 6:26
7 – Pres Returns (Young) – 6:17
Lester Young – Sax Tenor
Teddy Wilson – Piano
Gene Ramey – Baixo
Jo Jones – Bateria

1 – All of Me (Marks, Simons) – 5:07
2 – Prisoner of Love (Columbo, Gaskill, Robin) – 7:36
3 – Louise (Robin, Whiting) – 5:14
4 – Love Me or Leave Me (Donaldson, Kahn) – 6:47
5 – Taking a Chance on Love (Duke, Fetter, Latouche) – 5:07
6 – Love Is Here to Stay (Gershwin, Gershwin) – 6:26
7 – Pres Returns (Young) – 6:17

Lester Young – Sax Tenor  /  Teddy Wilson – Piano  /  Gene Ramey – Baixo  /  Jo Jones – Bateria

(Vá agora a uma boa loja de Cds como a Livraria Cultura e compre “The Complete Alladin Records”. Um Cd duplo com belas faixas de Pres ao lado de grandes músicos. Destaque para as primeiras faixas ao lado de Nat King Cole)

billieSolitudeBillie Holiday… Eu não preciso nem pensar muito em responder qual a melhor cantora que já pisou no planeta terra. Lady Day, como era carinhosamente chamada por Lester Young, seu grande parceiro musical, não é tecnicamente a melhor cantora de jazz, não possue um alcance vocal de Sarah Vaughan ou mesmo Ella Fitzgerald, mas a emoção em suas interpretações são muito, muito profundas.

Neste disco gravado de 1952 pelo selo Clef, Billie tem um seleto grupo a sua disposição, contando com Oscar Peterson no piano e seu parceiro Ray Brown no baixo, o baterista Alvin Stoller, o trompetista Charlie Shavers e o tenorista Flip Phillips além do grande guitarrista Barney Kessell.

O disco segue a linha intimista de Billie, no delicado vocal, dando espaço para os solos de Phillips e Shavers, as vezes Peterson. Apesar desta gravação não ser considerada a altura das grandes interpretações de Lady Day nos anos 30 ou 40, os anos 50 foram marcados por um produnfo mergulho da diva na bebida, drogas e depressão, que de uma certa forma mudaram a forma de cantar e a voz, agora mais tímida. No entanto, sinto que nessa época os discos de Billie estão ainda mais emotivos.

Bem, o disco começa com a ótima “East of the Sun and West of the Moon”, com Phillips tocando a la Lester Young ao fundo do vocal. Shavers toca um belo solo de trompete, completando e sendo completado com o vocal de Billie. “Blue Moon” é tocada em seguida, numa versão deliciosa, e dessa vez é Phillips que toca um belo solo, seguido por um estridente Shavers. O disco segue intimista, com “You Go To My Head”, agora com Barney Kessel na guitarra – que ótimo guitarrista, diga-se de passagem –  e “You Turned The Tables On Me” novamente com Phillips fanzendo-me imediatamene lembrar de Lester e com Peterson tendo seu primeiro espaço em um solo.

A guitarra e o piano iniciam uma rápida conversa em “Easy to Love”, anuncinando essa bela faixa, com Shavers na surdina e Kessel solando, enfim. A sexta faixa é “These Foolish Things (Remind Me Of You)” que é seguida por “I Only Have Eyes For You”, num discreto andamento mais rápido.

A versão de “Solitude” é belíssima. Acho que quando as faixas são tristes na voz de Billie elas tornam-se ainda mais tristes. Linda versão. Desta faixa em diante acho que o disco fica ainda melhor. Standards como “Everything I Have Is Yours”, “Love for Sale” e “Moonglow”, tornam-se novamente imortalizados nessas intrepretações de 1952.

Aí é a vez de “Tenderly”. Que versão! umas das faixas que mais gosto cantadas por Billie. Só é possível entender ouvindo… ou seja, baixem imediatamente. Então mais duas faixas, a elegante “If The Moon Turn Green” e “Remember” precedem minha música preferida do disco (neste disco em duas versões): ”Autumm In New York”. Versão definitiva dessa música composta por Duke Ellington, com Billie perfeita sendo acompanhada por Peterson. Mais um “masterpiece” escolhido a dedo. Altamente recomendado.

1 – East of the Sun (And West of the Moon) (Bowman) – 2:54
2 – Blue Moon (Hart, Rodgers) – 3:28
3  - You Go to My Head (Coots, Gillespie) – 2:54
4 – You Turned the Tables on Me (Alter, Mitchell) – 3:26
5 – Easy to Love (Porter) – 3:00
6 – These Foolish Things (Link, Marvell, Strachey) – 3:34
7 – I Only Have Eyes for You (Dubin, Warren) – 2:52
8 – Solitude (DeLange, Ellington, Mills) – 3:29
9 – Everything I Have Is Yours (Adamson, Lane) – 3:43
10 – Love for Sale (Porter) – 2:56
11 – Moonglow (DeLange, Hudson, Mills) – 2:58
12 – Tenderly (Gross, Lawrence) – 3:23
13 – If the Moon Turns Green (Coates, Hanighen) – 2:44
14 – Remember (Berlin) – 2:35
15 – Autumn in New York [LP Take] (Duke) – 3:40
16 – Autumn in New York [78 RPM Take] (Duke) – 3:52
Billie Holiday – Vocal
Flip Phillips – Sax Tenor
Charlie Shavers – Trompete
Barney Kessel – Guitarra
Oscar Peterson – Piano
Ray Brown – Baixo
Alvin Stoller – Bateria

1 – East of the Sun (And West of the Moon) (Bowman) – 2:54
2 – Blue Moon (Hart, Rodgers) – 3:28
3  - You Go to My Head (Coots, Gillespie) – 2:54
4 – You Turned the Tables on Me (Alter, Mitchell) – 3:26
5 – Easy to Love (Porter) – 3:00
6 – These Foolish Things (Link, Marvell, Strachey) – 3:34
7 – I Only Have Eyes for You (Dubin, Warren) – 2:52
8 – Solitude (DeLange, Ellington, Mills) – 3:29
9 – Everything I Have Is Yours (Adamson, Lane) – 3:43
10 – Love for Sale (Porter) – 2:56
11 – Moonglow (DeLange, Hudson, Mills) – 2:58
12 – Tenderly (Gross, Lawrence) – 3:23
13 – If the Moon Turns Green (Coates, Hanighen) – 2:44
14 – Remember (Berlin) – 2:35
15 – Autumn in New York [LP Take] (Duke) – 3:40
16 – Autumn in New York [78 RPM Take] (Duke) – 3:52

Billie Holiday – Vocal
Flip Phillips – Sax Tenor
Charlie Shavers – Trompete
Barney Kessel – Guitarra
Oscar Peterson – Piano
Ray Brown – Baixo
Alvin Stoller – Bateria

(Há uma série de coletâneas de Billie no mercado. Muitas são mal organizadas e normalmente evito-as. Se um dia você quiser investir em um belo conjunto de cds da diva o melhor é “The Complete Billie Holiday On Verve 1945-1959″. São dez cds e custa realmente caro, mas vale a pena)

turnaround

Sempre que se faz uma referência aos grandes saxofonistas do Jazz, surgem nomes do calibre de Charlie Parker, Sonny Rollins, John Coltrane, Lester Young e Coleman Hawkins. Sem dúvida são os grandes titãs dos saxofone. No entanto hoveram fantásticos saxofonistas que nos deixaram grandes gravações. Dentres eles um dos meus favoritos é Hank Mobley. Hank tira um som encorpado, cheio de blues e swing de seu sax tenor. Gosto muito de uma passagem da história onde o crítico Leonard Feather cita Hank como o campeão dos “Meio Pesados” (enquanto os outros músico citados acima são os campeões do “Peso Pesado”) em alusão ao boxe. Hank não teve os holofotes focados para si, mas impressionou muito os executivos da Blue Note, onde pode gravar uma sequência de discos que só constata o qual bom era esse saxofonista. Dentre vários discos de tenho deste saxofonista falarei do meu preferido, “The Turnaround!”.

Esse disco foi gravado em em duas sessões com distantes  momentos da história. A primeira sessão foi em março de 1963, após uma má sucedida incursão ao grupo de Miles Davis, com o qual passou maus momentos. Já a segunda sessão foi em fevereiro de 1965.

Da primeira sessão sairam as faixas “The Good Life”, uma balada e “East Of The Village”. Nessa sessão Mobley teve ao seu lado o pianista Herbie Hancock, Donald Byrd no trompete, Butch Warren no Baixo e Philly Joe Jones na Bateria.

Um partenteses abro aqui para “East Of The Village”. Essa é a melhor faixa que ouvi de Mobley. Mobley lapida seu nome nos anais do jazz no solo dessa faixa… o melhor solo de sua carreira. Emotivo, intenso, habilidoso. O ponto alto de todo disco (o solo do Donald Byrd não fica muito atrás).

Já na segunda sessão foram gravadas as demais faixas do disco, sendo que a banda era formada por Barry Harris no piano, Freddie Hubbard no trompete, Paul Chambers no baixo e Billy Higgins na bateria.

A faixa títlo, “The Turnaround!” tem uma levada forte que horas mescla um toque latino do piano de Harris, aos rasantes de Freddie Hubbard e Mobley. Uma das melhores faixas do álbum. Em “Staigth Ahead” Hank Mobley e Freddie Hubbard trocam solos sob forte andamento do baixo de Chambers e no som de pratos de Higgins. Hubbard logo após a melodia inicial inicia o solo seguido de Mobley.

“My Sin” é a outra balada do disco, mas com a segunda formação. A última faixa do disco também merece destaque. Em “Pat ‘N Chat” o diálogo entre o sax e o trumpete sob rápido acompanhamento da dessão rítmica são o toque especial. O solos iniciam com Hubbard – o melhor dele nesse disco, Mobley e por fim Barry Harris.

Obra-prima do Hank Mobley e referência do Hard Bop.

  1. The Turnaround (Mobley) – 8:15
  2. East of the Village (Mobley) – 6:44
  3. The Good Life (Distel/Reardon) – 5:08
  4. Straight Ahead (Mobley) – 7:02
  5. My Sin (Mobley) – 6:53
  6. Pat ‘n’ Chat (Mobley) – 6:29

Faixas 2 e 3

Hank Mobley – Saxofone Tenor
Herbie Hancock             -             Piano
Donald Byrd             -             Trumpet
Butch Warren             -             Bass
Philly Joe Jones             -             Drums

Demais faixas do disco

Hank Mobley             -             Sax (Tenor)
Freddie Hubbard             -             Trumpet
Barry Harris             -             Piano
Billy Higgins             -             Drums
Paul Chambers             -             Bass

(Hank gravou bastante como convidado e a maior parte das gravações como líder foram sob o contrato da Blue Note que sempre procura relançar seu catálogo. Enfim, quase tudo está hoje em CD e todos são muito bons. Dica? “No Room for Square”, “Roll Call”, “Soul Station”…)