Search For The New Land – Lee Morgan
28/11/2009
Clifford Brown, Dizzy Gillespie, Louis Armstrong, Fast Navarro, Woody Shaw… o jazz foi repleto de grandes trompetistas. O trompete foi o primeiro instrumento a se destacar no jazz e vários mestres o dominaram nestes últimos cem anos. No entanto separei um músico que em um curto espaço de tempo tornou-se o melhor de sua época: Lee Morgan.
Morgan morreu muito jovem mas felizmente deixou boas gravações, principalmente pelo selo Blue Note. Todos os discos são excelentes mas vou destacar esse como um dos melhores. “Search For The New Land” foi gravado em 1964. Já na capa é fácil identificar que o disco é especial pelo fato do lineup escrito ali. Morgan é acompanhado por Wayne Shorter, Herbie Hancock, Grant Green, Reggie Workman e Billy Higgins… todos eles grandes mestres, já naquela época. Curiosamente este disco reúne parte dos músicos que mais gosto: Morgan, Green e Shorter.
As cinco faixas do disco são de autoria do líder e grandes clássicos foram criados aqui. A faixa título do disco é muito criativa, mesmo hoje, 45 anos depois da gravação. Os solos são perfeitos e casam com a melodia tornando essa faixa a melhor do disco. No entanto outras faixas memoráveis são “Mr. Kenyatta” a mais vibrante do disco e “Morgan The Pirate”. Esse disco é imperdível.
1 – Search For The New Land
2 – The Joker
3 – Mr. Kenyatta
4 – Melancholee
5 – Morgan The Pirate
Lee Morgan – trompete
Wayne Shorter – sax tenor
Grant Green – guitarra
Herbie Hancock – piano
Reggie Workman – baixo
Billy Higgins – bateria
(Muitos dos discos desse trompetistas estão espalhados por aí. Algumas recomendações são “The Sidewinder”, “Cornbread”, “The Cooker” e “Infinity”. Uma gravação que chama muito atenção é “Blue Train” de John Coltrane, o primeiro disco como líder de Trane. O trompetista naquela gavação é Morgan que pra alguns roubou a cena no disco)
Adam’s Apple – Wayne Shorter
17/08/2009
Este é em minha opinião o melhor disco de Wayne Shorter. Nem “Juju”, nem “Speak No Evil”. O melhor é “Adam’s Apple”. Gravado em fevereiro de 1966 nos estúdios de Rudy Van Gelder, o mitológico engenheiro de som, em New Jersey pela Blue Note. Melodicamente acho que Shorter aqui está no ápice. A construção de vários hits de sua carreira estão apresentados aqui.
A faixa título é minha preferida com fantástico trabalho do líder e do piano cheio de swing de Herbie Hancock. “El Gaucho” e a obra-prima de Shorter, “Footprints” são apresentadas neste disco pela primeira vez. Miles Davis viria a tocar algumas vezes esta últim faixa, enquanto Shorter fazia parte do “segundo quinteto” de Davis.
Este disco é recheado de grandes composições do saxofonista. Imperdível.
1) “Adam’s Apple” – 6:52
2) “502 Blues (Drinkin’ And Drivin’)” (Jimmy Rowles) – 6:36
3) “El Gaucho” – 6:32
4) “Footprints” – 7:31
5) “Teru” – 6:15
6) “Chief Crazy Horse” – 7:39
7) “The Collector” (Herbie Hancock)- 6:55
Wayne Shorter – tenor saxophone
Herbie Hancock – piano
Reggie Workman – bass
Joe Chambers – drums
(Se você gostou deste disco compre então outros discos de Wayne Shorter como “Et Cetera” e “Schinozopheria”. Recomendo.)
Karma – Pharoah Sanders
09/07/2009

Lembro da primeira vez que ouvi Pharoah Sanders, há uns quatro anos atrás. O disco era “Journey To the One”. Achei super estranho ao ouvir. Decididamente não gostei. Tempos depois mergulhei profundamente na obra de Coltrane, ouvindo seus discos em ordem cronológica e pude perceber seu percursso na busca pela espiritualidade, que aos leigos muitas vezes soa como “música barulhenta e só!”. Em minha opinião a obra máxima de Coltrane, “A Love Supreme” foi o primeiro disco em que pude perceber realmente uma música criada tendo como Deus ou coisa semelhante seu direcionador, seu tema, e o interessante é que este disco de Pharoah Sanders também consegue transmitir toda a espiritualidade da música desse que é o maior discípulo de Trane.
“Karma” foi gravado nos dias 14 e 19 de fevereiro de 1969 pelo vanguardista selo Impulse!, sob a produção de Bob Thiele. O disco possui somente duas faixas, “The Creator as a Master Plan” com duração de 32:44 minutos e “Colors”.
Sanders inicia com seu sax cortante em “The Creator…”, minutos após apoiado sobre um contrabaixo que imediatamente relembra “A Love Supreme”. Por volta dos oito minutos Leon Thomas inicia o mantra de “The Creator…”, seguido de sua ímpar técnica vocal que é sua marca registrada. Aos 11 minutos a música muda novamente, sob o sax carregado de Sanders chegando como uma tempestade que rapidamente retorna sob uma doce melodia, onde Sanders sola belamente. A partir desse ponto a música percorre diferentes nuances, do céu ao caos.
Aos 18 minutos Leon inicia uma série de cânticos que a certo ponto duelam com o sax tenor de Sanders, quase que sem controle… vários minutos de Free Jazz na veia! Ao final, já nos 29 minutos passados, a base de baixo A La Coltrane retorna e Leon fecha o disco novamente repetindo o nome da faixa uma série de vezes.
Fechando o disco “Colors”, uma bela faixa, com belo trabalho de Ron Carter ao arco e o vocal de Leon, lembrando rapidamente a melodia de “In A Sentimental Mood”.
Um belíssimo trabalho de Sanders que certamente deixaria seu mestre Coltrane muito feliz. Aconselho aos que desconhecem este disco que ouçam novamente “A Love Supreme” de John Coltrane para entender qual a proposta deste disco de Sanders, gravado anos após a obra prima de Trane.
Pharoah Sanders - Sax (Tenor)
James Spaulding - Flauta
Leon Thomas - Vocal
Julius Watkins - Trompa
Lonnie Liston Smith - Piano
Ron Carter - Baixo
Reggie Workman - Baixo
Richard Davis - Baixo
Billy Hart - Bateria e Percurssão
Freddie Waits - Bateria e Percurssão
Nat Bettis - Percurssão

Art Blakey foi um dos maiores bateristas do jazz. Além de ser reconhecido por sua técnica e pela participação em centenas de discos em seus 40 anos de carreira, Blakey também lançou grandes notáveis no jazz através de sua banda, Jazz Messengers. Desde a gravação do primeiro disco do Jazz Messengers em 1953 (que contava com Horace Silver e Clifford Brown na primeira versão do grupo) até meados dos anos 80 foram dezenas de discos gravados e dezenas de jovens músicos lançados ao estrelato: como o pianista Bobby Timmons, saxofonistas como Wayne Shorter, Johnny Griffin, Branford Marsalis e Javon Jackon; os trompetes de Wynton Marsalis, Freddie Hubbard e Lee Morgan e muitos outros.