Monk’s Music – Thelonious Monk
22/06/2009

Uma obra prima do jazz. “Monk’s Music” é mais uma das grandes obras desse genial pianista. Thelonious Monk foi um dos mais criativos pianistas de todos os tempos e também um dos maiores compositores do jazz, criando diversos standards americanos.
Este disco foi gravado em junho de 1957 pelo selo Riverside, gravadora com a qual Monk gravou durante seis anos. Os poucos 38 minutos de música apresentam Monk acompanhado por um septeto pra lá de estrelado, composto pelos saxofonistas Coleman Hawkins, John Coltrane e Gigi Gryce, Ray Copeland no trompete, Wilbur Ware no baixo e Art Blakey na bateria. A combinação entre os saxes torna esse album único com Trane e Hawkins, duas gerações de tenoristas considerados os melhores no mundo.
“Abide with Me” abre o disco num toque sacro pelos sopros que dura menos de um minuto, passando para um grande sucesso, “Well, You Needn’t”. O primeiro a solar é Coltrane após um grito ao fundo… “Coltrane! Coltrane!”. Já é possível perceber o estilo que Trane solidificaria alguns anos depois. Na sequência solos de trompete e baixo e a furiosa bateria de Blakey, velho parceiro de Monk que participou de inúmeras gravações do pianista e curiosamente estava nas gravações do primeiro e do último albúm de Monk. Os solos seguem com Hawks, sempre elegante, e é seguido finalmente por Gigi.
A terceira faixa do disco, outro clássico. “Rudy, My Dear” em uma linda intrepretação. Hawks inicia a melodia de forma delicada em um tenor contido, romântico e decidido. Hawks é para mim o melhor saxofonista em baladas e “Rudy, My Dear” é prova disso. “Off-Minor” é apresentada em dois diferente takes. Uma faixa banhada aos sopros com todo o dinamismo que merece. Solos de Hawks, Copeland, Monk, Ware e Blakey. Já “Epistrophy” é liderada por Hawks e Trane. Essa faixa foi bastante tocada por Trane no período em que acompanhou Monk após debandar do grupo de Miles Davis. Talvez por isso Trane esta solto no solo. Copeland é o segundo a solar seguido por Gigi no sax alto, Blakey, Hawks e Monk.
Fechando o disco um lindo tema composto por Monk a sua fiel companheira Nellie, “Crepuscule With Nellie”. Esta é apresentada também em dois takes com destaque ao piano.
Felizmente Monk possui um vasto número de gravações, desde o início do Bebop, as excursões pela Europa, as gravações com seu fiel quarteto… tudo registrado. Este é um dos grandes albúns desse grande músico que jamais será esquecido como o mais criativo e excêntrico pianista do jazz.
1 – Abide with Me (Lyte, Monk) – 0:55
2 – Well, You Needn’t (Monk) – 11:24
3 – Rudy, My Dear (Monk) – 5:27
4 – Off-Minor (take 5) (Monk) – 5:09
5 – Off-Minor (take 4) (Monk) – 5:15
6 – Epistrophy (Clarke, Monk) – 10:47
7 – Crepuscule With Nellie (take 6) Monk) – 4:39
8 – Crepuscule With Nellie (take 4) (Monk) – 4:45
Coleman Hawkins e John Coltrane – Sax Tenor
Gigi Gryce – Sax Alto
Ray Copeland – Trompete
Thelonious Monk – Piano
Wilbur Ware – Baixo Acústico
Art Blakey – Bateria

Um dos saxofonistas alto que mais gosto é Cannonball Adderley. O som incendiário de sax mescla velocidade e muito blues. Cannonball teve uma carreira tardia, quando começou a tocar profissionalmente já tinha uma carreira no meio acadêmico. Ficou famoso quando fez parte do incrivel sexteto de Miles Davis no final dos anos 50 e ficou imortalizado em uma das maiores obra prima do jazz, Kind Of Blue.
Já ouvi excelentes disco deste saxofonista e é difícil escolher um para postar. Este que escolhi não é um dos discos mais famosos dele, porém é um dos melhores que conheço. Gravado pela Riverside em 1961, Cannonball é seguido por um já conhecido quinteto composto pelo seu irmão Nat Adderley na corneta, Sam Jones no contrabaixo e Louis Hayes na bateria. Em cinco músicas Wynton Kelly (ele é o “plus”no nome do disco) assume o piano enquanto Victor Feldman comanda o vibrafone. Nas demais faixas Feldman é o pianista.
O disco inicia com a melhor faixa do disco, “Arriving Soon” com um desacompanhado Cannonball no primeiros segundos de música, seguido pelo piano de Feldman e a corneta de Nat. Cannonball mostra toda sua ferocidade em um solo desconcertante. Na sequência uma famosa composição de Thelonious Monk, “Well, Youd Needn’t”, com Feldman assumindo o vibrafone e o convidado Kelly mostrandos seu elegante piano. Já “New Delhi” é uma bela balada com Nat iniciando na surdina e Feldman novamente no vibrafone. Uma bela faixa.
Agora um blues, “Winetone” estilo em que Cannonball sempre se destaca e “Star Eyes” que é mais uma grande faixa deste disco. A entrada de Canonball seguido de um frenético Nat é fantástica.
A faixa “Lisa”aparece em dois takes muito semelhantes. Muito blues no solo de Cannonball sobre um trabalho muito elegante do piano e do baixo. E fechando o disco “O.P” que destaca o baixista da família Jones comando toda a faixa.
Um excelente disco de jazz com pitadas de blues, funk e soul, característica muito forte no trabalho desse titã do sax alto que durante seus 20 anos de carreira nos presenteou com grandes obras primas do jazz.
1 – Arriving Soon – 8:11
2 – Well, You Needn’t – 6:27
3 – New Delhi – 6:58
4 – Winetone – 6:58
5 – Star Eyes – 7:07
6 – Lisa (take) – 6:42
7 – Lisa (take 3) – 7:00
8 – O.P. – 5:13
Cannoball Adderley – sax alto
Nat Adderley – corneta
Wynton Kelly – piano (#2, #3, #4, #5)
Victor Feldman – piano (#1, #6, #7, #8), e vibrafone (#2, #3, #4, #5)
Sam Jones – contrabaixo
Louis Hayes – bateria
Deeds, Not Words – Max Roach
15/04/2009
Agora uma pequena demostração do estilo Hard Bop. Max Roach é considerado um dos melhores bateristas do jazz, revolucionando a maneira de tocar bateria e foi o principal baterista do Bebop junto aos fundadores do estilo, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk. O estilo energético de Roach pode ser ouvido nessa ótima gravação de 4 de setembro de 1958 pelo selo Riverside, inaugurando seu novo quinteto repleto de jovens músicos.
O grupo de “Deeds, Not Words” é genial. A começar pelo jovem Booker Little, um dos melhores trompetistas do hard bop, morto prematuramente aos 23 anos de idade. George Coleman (outro então jovem virtuose) assume o sax tenor, Ray Draper na tuba, Art Davis no baixo e o mestre Oscar Pettiford substituindo Davis em uma faixa.
O disco começa com “You Stepped Out Of a Dream”. Excelente faixa, inicia com um delicado passeio de Coleman e Little. Passados 2 minutos, o som da tuba de Draper muda radicalmente o andamento e profundidade da música. Belos solos de Coleman e Little na sequência.
A segunda faixa merece destaque. “Filide” de autoria de Draper é belíssima. Coleman e Little assumem a frente no início da faixa sob o som de Draper que em seguida toca um belo solo. Álias, são poucas as gravações onde pode-se ouvir um solo de tuba. O disco segue com “It’s You or No One”, “Jodie’s Cha-Cha” e a balada “Deeds, Not Words”. O disco retoma a velocidade com “Larrie-Larue” de autoria de Booker Little.
A próxima faixa, ”Conversation”, Roach toca desacompanhado e finalizando o disco uma versão bem interessante da clássica “There Will Never Be Another You”, comandada por Pettiford no baixo acompanhado somente pela bateria de Roach.
1. You Stepped Out Of A Dream
2. Filide
3. It’s You Or No One
4. Jodie’s Cha-Cha
5. Deeds, Not Words
6. Larry-Larue
7. Conversation
8. There Will Never Be Another You
Max Roach – Bateria / George Coleman – Saxofone Tenor / Ray Draper – Tuba / Booker Little – Trompete / Art Davis e Oscar Pettiford – Baixo
(Max foi um revolucionário, não só em sua técnica comandando a bateria mas também em suas ações sociais em benefício dos negros norte-americanos. “We Insist! Freedom Now Suite” em parceria com diversos músicos incluindo Abbey Lincon, sua esposa, foi um dos mais polêmicos disco deste baterista)
Art Blakey foi um dos maiores bateristas do jazz. Além de ser reconhecido por sua técnica e pela participação em centenas de discos em seus 40 anos de carreira, Blakey também lançou grandes notáveis no jazz através de sua banda, Jazz Messengers. Desde a gravação do primeiro disco do Jazz Messengers em 1953 (que contava com Horace Silver e Clifford Brown na primeira versão do grupo) até meados dos anos 80 foram dezenas de discos gravados e dezenas de jovens músicos lançados ao estrelato: como o pianista Bobby Timmons, saxofonistas como Wayne Shorter, Johnny Griffin, Branford Marsalis e Javon Jackon; os trompetes de Wynton Marsalis, Freddie Hubbard e Lee Morgan e muitos outros.