ugetsuArt Blakey foi um dos maiores bateristas do jazz. Além de ser reconhecido por sua técnica e pela participação em centenas de discos em seus 40 anos de carreira, Blakey também lançou grandes notáveis no jazz através de sua banda, Jazz Messengers. Desde a gravação do primeiro disco do Jazz Messengers em 1953 (que contava com Horace Silver e Clifford Brown na primeira versão do grupo) até meados dos anos 80 foram dezenas de discos gravados e dezenas de jovens músicos lançados ao estrelato: como o pianista Bobby Timmons, saxofonistas como Wayne Shorter, Johnny Griffin, Branford Marsalis e Javon Jackon; os trompetes de Wynton Marsalis, Freddie Hubbard e Lee Morgan e muitos outros.

Este é o disco que mais gosto do grupo. Um show gravado ao vivo no Birdland em junho de 1963 e lançado pela Riverside records. A formação do grupo é uma das mais talentosas do Jazz Messengers: Wayne Shorter no sax tenor, Freddie Hubbard no trompete, Curtis Fuller no trombone, Cedar Walton no piano, Reggie Workman no baixo… todos em grande fase sob o comando de Blakey.

Destaques para a faixa de abertura, “One by One”, “Ugetsu” (a melhor faixa do disco) onde Hubbard rouba a cena, e “On The Ginza”. Os disco de Art Blakey são verdadeiras escolas e uma excelente fonte para conhecer novos músicos e Ugetsu um dos melhores disco do grupo na primeira metade dos anos 60.

1 – One by One (Shorter) – 6:19
2 – Ugetsu (Walton) – 11:01
3 – Time Off (Fuller) – 4:55
4 – Ping-Pong (Shorter) – 8:07
5 – I Didn’t Know What Time It Was (Hart, Rodgers) – 6:30
6 – On the Ginza (Shorter) – 7:04
7 – Eva (Shorter) – 5:53
8 – The High Priest (Fuller) – 5:24
9 – The Theme (Davis) – 1:44

1 – One by One (Shorter) – 6:19
2 – Ugetsu (Walton) – 11:01
3 – Time Off (Fuller) – 4:55
4 – Ping-Pong (Shorter) – 8:07
5 – I Didn’t Know What Time It Was (Hart, Rodgers) – 6:30
6 – On the Ginza (Shorter) – 7:04
7 – Eva (Shorter) – 5:53
8 – The High Priest (Fuller) – 5:24
9 – The Theme (Davis) – 1:44

Freddie Hubbard – trompete
Wayne Shorter – tenor sax
Curtis Fuller  - trombone
Cedar Walton – piano
Reggie Workman – baixo
Art Blakey – bateria

(Os melhores discos de Art Blakey estão relacionados as formações do The Jazz Menssengers. Ouça “Moanin’” que é o melhor disco de Blakey – com a melhor formação dos Messengers… Wayne Shorter, Lee morgan e Bobby Timmons – e “Keystone 3″ com os irmãos Marsalis.)

monks music

Uma obra prima do jazz. “Monk’s Music” é mais uma das grandes obras desse genial pianista. Thelonious Monk foi um dos mais criativos pianistas de todos os tempos e também um dos maiores compositores do jazz, criando diversos standards americanos.

Este disco foi gravado em junho de 1957 pelo selo Riverside, gravadora com a qual Monk gravou durante seis anos. Os poucos 38 minutos de música apresentam Monk acompanhado por um septeto pra lá de estrelado, composto pelos saxofonistas Coleman Hawkins, John Coltrane e Gigi Gryce, Ray Copeland no trompete, Wilbur Ware no baixo e Art Blakey na bateria. A combinação entre os saxes torna esse album único com Trane e Hawkins, duas gerações de tenoristas considerados os melhores no mundo.

“Abide with Me” abre o disco num toque sacro pelos sopros que dura menos de um minuto, passando para um grande sucesso, “Well, You Needn’t”. O primeiro a solar é Coltrane após um grito ao fundo… “Coltrane! Coltrane!”. Já é possível perceber o estilo que Trane solidificaria alguns anos depois. Na sequência solos de trompete e baixo e a furiosa bateria de Blakey, velho parceiro de Monk que participou de inúmeras gravações do pianista e curiosamente estava nas gravações do primeiro e do último albúm de Monk. Os solos seguem com Hawks, sempre elegante, e é seguido finalmente por Gigi.

A terceira faixa do disco, outro clássico. “Rudy, My Dear” em uma linda intrepretação. Hawks inicia a melodia de forma delicada em um tenor contido, romântico e decidido. Hawks é para mim o melhor saxofonista em baladas e “Rudy, My Dear” é prova disso. “Off-Minor” é apresentada em dois diferente takes. Uma faixa banhada aos sopros com todo o dinamismo que merece. Solos de Hawks, Copeland, Monk, Ware e Blakey. Já “Epistrophy” é liderada por Hawks e Trane. Essa faixa foi bastante tocada por Trane no período em que acompanhou Monk após debandar do grupo de Miles Davis. Talvez por isso Trane esta solto no solo. Copeland é o segundo a solar seguido por Gigi no sax alto, Blakey, Hawks e Monk.

Fechando o disco um lindo tema composto por Monk a sua fiel companheira Nellie, “Crepuscule With Nellie”. Esta é apresentada também em dois takes com destaque ao piano.

Felizmente Monk possui um vasto número de gravações, desde o início do Bebop, as excursões pela Europa, as gravações com seu fiel quarteto… tudo registrado. Este é um dos grandes albúns desse grande músico que jamais será esquecido como o mais criativo e excêntrico pianista do jazz.

1 – Abide with Me (Lyte, Monk) – 0:55
2 – Well, You Needn’t (Monk) – 11:24
3 – Rudy, My Dear (Monk) – 5:27
4 – Off-Minor (take 5) (Monk) – 5:09
5 – Off-Minor (take 4) (Monk) – 5:15
6 – Epistrophy (Clarke, Monk) –  10:47
7 – Crepuscule With Nellie (take 6)  Monk) – 4:39
8 – Crepuscule With Nellie (take 4) (Monk) – 4:45

Coleman Hawkins e John Coltrane – Sax Tenor
Gigi Gryce – Sax Alto
Ray Copeland – Trompete
Thelonious Monk – Piano
Wilbur Ware – Baixo Acústico
Art Blakey – Bateria

cannon plus

Um dos saxofonistas alto que mais gosto é Cannonball Adderley. O som incendiário de sax mescla velocidade e muito blues. Cannonball teve uma carreira tardia, quando começou a tocar profissionalmente já tinha uma carreira no meio acadêmico. Ficou famoso quando fez parte do incrivel sexteto de Miles Davis no final dos anos 50 e ficou imortalizado em uma das maiores obra prima do jazz, Kind Of Blue.

Já ouvi excelentes disco deste saxofonista e é difícil escolher um para postar. Este que escolhi não é um dos discos mais famosos dele, porém é um dos melhores que conheço. Gravado pela Riverside em 1961, Cannonball é seguido por um já conhecido quinteto composto pelo seu irmão Nat Adderley na corneta, Sam Jones no contrabaixo e Louis Hayes na bateria. Em cinco músicas Wynton Kelly (ele é o “plus”no nome do disco) assume o piano enquanto Victor Feldman comanda o vibrafone. Nas demais faixas Feldman é o pianista.

O disco inicia com a melhor faixa do disco, “Arriving Soon” com um desacompanhado Cannonball no primeiros segundos de música, seguido pelo piano de Feldman e a corneta de Nat. Cannonball mostra toda sua ferocidade em um solo desconcertante. Na sequência uma famosa composição de Thelonious Monk, “Well, Youd Needn’t”, com Feldman assumindo o vibrafone e o convidado Kelly mostrandos seu elegante piano. Já “New Delhi” é uma bela balada com Nat iniciando na surdina e Feldman novamente no vibrafone. Uma bela faixa.

Agora um blues, “Winetone” estilo em que Cannonball sempre se destaca e “Star Eyes” que é mais uma grande faixa deste disco. A entrada de Canonball seguido de um frenético Nat é fantástica.

A faixa “Lisa”aparece em dois takes muito semelhantes. Muito blues no solo de Cannonball sobre um trabalho muito elegante do piano e do baixo. E fechando o disco “O.P” que destaca o baixista da família Jones comando toda a faixa.

Um excelente disco de jazz com pitadas de blues, funk e soul, característica muito forte no trabalho desse titã do sax alto que durante seus 20 anos de carreira nos presenteou com grandes obras primas do jazz.

1 – Arriving Soon – 8:11
2 – Well, You Needn’t – 6:27
3 – New Delhi – 6:58
4 – Winetone – 6:58
5 – Star Eyes – 7:07
6 – Lisa (take) – 6:42
7 – Lisa (take 3) – 7:00
8 – O.P. – 5:13

Cannoball Adderley – sax alto
Nat Adderley – corneta
Wynton Kelly – piano (#2, #3, #4, #5)
Victor Feldman – piano (#1, #6, #7, #8), e vibrafone (#2, #3, #4, #5)
Sam Jones – contrabaixo
Louis Hayes – bateria

deeds-not-wordsAgora uma pequena demostração do estilo Hard Bop. Max Roach é considerado um dos melhores bateristas do jazz, revolucionando a maneira de tocar bateria e foi o principal baterista do Bebop junto aos fundadores do estilo, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk. O estilo energético de Roach pode ser ouvido nessa ótima gravação de 4 de setembro de 1958 pelo selo Riverside, inaugurando seu novo quinteto repleto de jovens músicos.

O grupo de “Deeds, Not Words” é genial. A começar pelo jovem Booker Little, um dos melhores trompetistas do hard bop, morto prematuramente aos 23 anos de idade. George Coleman (outro então jovem virtuose) assume o sax tenor, Ray Draper na tuba, Art Davis no baixo e o mestre Oscar Pettiford substituindo Davis em uma faixa.

O disco começa com “You Stepped Out Of a Dream”. Excelente faixa, inicia com um delicado passeio de Coleman e Little. Passados 2 minutos, o som da tuba de Draper muda radicalmente o andamento e profundidade da música. Belos solos de Coleman e Little na sequência.

A segunda faixa merece destaque. “Filide” de autoria de Draper é belíssima. Coleman e Little assumem a frente no início da faixa sob o som de Draper que em seguida toca um belo solo. Álias, são poucas as gravações onde pode-se ouvir um solo de tuba. O disco segue com “It’s You or No One”, “Jodie’s Cha-Cha” e a balada “Deeds, Not Words”. O disco retoma a velocidade com “Larrie-Larue” de autoria de Booker Little.

A próxima faixa, ”Conversation”, Roach toca desacompanhado e finalizando o disco uma versão bem interessante da clássica “There Will Never Be Another You”, comandada por Pettiford no baixo acompanhado somente pela bateria de Roach.

1. You Stepped Out Of A Dream
2. Filide
3. It’s You Or No One
4. Jodie’s Cha-Cha
5. Deeds, Not Words
6. Larry-Larue
7. Conversation
8. There Will Never Be Another You

Max Roach – Bateria / George Coleman – Saxofone Tenor / Ray Draper – Tuba  / Booker Little – Trompete / Art Davis e Oscar Pettiford – Baixo

(Max foi um revolucionário, não só em sua técnica comandando a bateria mas também em suas ações sociais em benefício dos negros norte-americanos. “We Insist! Freedom Now Suite” em parceria com diversos músicos incluindo Abbey Lincon, sua esposa, foi um dos mais polêmicos disco deste baterista)